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O Livro de Mórmon: Evidências Internas Parte II

A Cultura no Velho e no Novo Mundo

Jornada de Fétfala da viagem realizada pelo Profeta Israelita chamado Leí e sua família no ano 600 a.C., e do seu êxodo partindo de Jerusalém, atravessando o deserto Arábico pela costa, e então para o Novo Mundo. Néfi, filho de Leí, começa o relato no ano 600 a.C., preservando-o ao gravá-lo em placas de metal. Mas, pela própria natureza de sua viagem para as Américas, a narrativa não veio a luz até a década de 1820, quando, por meio de revelação divina Joseph Smith foi guiado ao lugar onde as placas estavam escondidas, em uma colina no norte do estado de Nova Iorque. Das placas ele traduziu o Livro de Mórmon: Outro Testamento de Jesus Cristo.

Book of MormonO Livro de Mórmon contém o registro de diferentes povos pelo período de mil anos, harmonizados pelo resumo de um pai e um filho, Mórmon e Moroni, que viveram por volta do ano 400 d.C. O relato ressalta a visita de Jesus Cristo ao povo nefita nas Américas após a Sua ressurreição. Embora a descoberta de evidências arqueológicas da civilização nefita no Velho e no Novo Mundo está em seu inicio, uma quantidade razoável de avanços tem sido feitos no próprio texto que lança luz sobre suas antigas origens.

A segunda parte deste artigo apresenta trechos de informações obtidas a partir do texto que destacam a autenticidade das descrições dos ambientes em que viveram seus autores.[1] Assim como evidências internas que podem facilmente serem divididas entre aqueles do Velho Mundo e os do Novo Mundo.

Evidências Internas do Velho Mundo

Documentos Selados

John W. Welch destacou vários elementos jurídicos presentes no Livro de Mórmon que remetem a antigos costumes, praticas que Joseph Smith não poderia jamais ter conhecido. Por exemplo, o próprio Livro de Mórmon foi escrito em placas de metal, mas cerca de dois terços do livro estavam selados.[2] Welch explica o conceito de uma porção selada:

Quando se escrevia em pergaminho ou papiro, os documentos legais possuem apenas uma única folha, mas o texto era escrito duas vezes, tanto no inicio quanto no fim da pagina. O texto repetido poderia ser tanto uma cópia textual ou um resumo do texto completo. O documento era então dobrado de modo que uma parte pudesse ser aberta para fins de inspeção e utilização, enquanto a outra parte ficava protegida e selada.

Esta prática é evidenciada em Jeremias 32. Jeremias havia comprado um terreno,

não obstante a profecia de que Jerusalém poderia também breve cair diante dos invasores babilônios (ver v. 3). A fim de finalizar sua compra de modo cabal e definitivo, Jeremias como comprador elaborou não apenas um documento único, mas um ato de duas partes. Uma parte do texto “foi selada de acordo com a lei [mitzvah] e o costume [Huqqim]” e a outra parte do documento “ficou aberta” (v. 11; comparar v. 14). Jeremias assinou este duplo documento e o selou, assim como as outras pessoas que presenciaram a transação e assinaram o texto (ver vv. 10, 12). Além disso, a fim de preservar a evidência da compra, Jeremias pegou este duplo documento, o aberto e o selado e, na presença de testemunhas, o depositou de forma segura com ambas as suas partes em um vaso de barro “, “para que se possam conservar muitos dias” (v. 14). [3]

No Livro de Mórmon o profeta, Leí, era contemporâneo de Jeremias, e, portanto, é razoável supor que os nefitas teriam se familiarizado com esta prática jurídica.

O Motivo do Êxodo

Daniel C. Peterson disse que, quando os autores do Livro de Mórmon narraram as grandes viagens de seus povos, muitas vezes eles as comparavam com o Êxodo bíblico, algo muito familiar para um povo de origem israelita.

Logo após a chegada do grupo às Américas, Néfi, sentindo-se ameaçado pelos seus irmãos, Lamã e Lemuel, levou seus fiéis seguidores—incluindo Jacó—longe da terra de sua “primeira herança.” Anos mais tarde, grupos liderados por Mosias, Alma, e Lími, bem como todo o povo de Anti-Néfi-Leí, da mesma forma abandonaram suas casas e se dirigiram a novas terras, impulsionados por profundas visões religiosas e liderados por profetas. Na verdade, os nefitas parecem ter vivido experiências como as do êxodo repetidas vezes, como expressões arquetípicas das jornadas espirituais individuais e coletivas. Eles eram, como Alma disse mais de cinco séculos após a sua chegada nas Américas, “errantes em uma terra estranha.”[4]

Evidências internas do Novo Mundo

John L. Sorenson dedicou grande parte de sua vida ao estudo da civilização nefita no Novo Mundo.[5]Um breve ensaio de uma de suas descobertas, que espero possa nos levar a um estudo mais profundo da grande obra de Sorenson. Abordaremos mais de suas evidências externas encontradas no Novo Mundo em outro artigo.

Pesos e Medidas

Sorenson narra que “a experiência de Alma com o antagonista Zeezrom na cidade de Amonia como relatado em Alma 11 descreve um sistema de padrão de pesos e volumes que os Nefitas usavam em suas relações comerciais.”[6] A pesquisa mostrou que,

Quando os invasores espanhóis chegaram, eles relataram que nos mercados tudo era vendido por volume. Por exemplo, os astecas utilizada uma caixa de madeira, chamada quauhchiaquihuitl, para medir o milho e outros produtos secos, a caixa era dividida e a menor unidade equivalia a uma décima segunda parte do todo. Tamanhos graduados de frascos serviam para medir os líquidos. Eles também tinham copos especiais para medir os pagamentos em ouro dos tributos pagos aos espanhóis em unidades mais ou menos equivalentes a nossa onça.[7]

John W. Welch acrescenta algo que fundamenta este sistema firmemente na antiguidade:

Promover a estabilidade econômica foi a meta geral por trás do sistema real de pesos e medidas de Mosias. O texto diz claramente que este sistema foi “estabelecido pelo rei Mosias” (Alma 11:4). . . . O estatuto do rei Mosias contém semelhanças com outro antigo código de leis antecedente ao sistema nefita. Por exemplo, é muito fácil ver as semelhanças com o código de Eshnunna, que foi compilado por volta de 1800 a.C., em uma cidade da Babilônia com o mesmo nome que ocupava uma área a cerca de 50 km a nordeste de Bagdá, no moderno Iraque.[8]

Antiga Civilização Americana

Na parte introdutória de seu estudo sobre a antiga civilização americana contida no Livro de Mórmon, Sorenson afirma,

Algumas declarações contidas no Livro de Mórmon sobre as antigas terras do Oriente Médio, seus conceitos e preceitos poderiam ter sido incorporados ao texto nefita, porque um escritor do século XIX, como Joseph Smith Jr. ou Sidney Rigdon, sabiam de algumas das particularidades da vida na antiguidade, através da leitura da Bíblia ou de fontes seculares acessíveis antes de 1830. Mas uma vez que a história do Livro de Mórmon afirma estar ocorrendo em um ambiente americano, tal argumento não faz sentido, pois ninguém sabia o suficiente em 1830 para obter tantos fatos que se mostraram verdadeiros. Fato após fato a escritura reflete com precisão a cultura e a história da antiga Mesoamérica (do sul do México ao norte da América Central).[9]

Sorenson então passa a listar os paralelos entre os nefitas e aquilo que sabemos hoje (mas que não poderia ter sido conhecido em 1830, quando Joseph traduziu o Livro de Mórmon) sobre Mesoamérica e sua civilização, as características geográficas, o padrão de cultura, história e língua. Ele conclui,

Dezenas de provocativas similaridades e correlações poderiam ser documentadas. Nas apenas esboçadas, assim como nas não mencionadas, somos levados a imaginar como Joseph Smith conseguiu ditar—em poucos meses e sem uma significativa edição—tal livro que repetidamente combina com a vida e os acontecimentos da antiga Mesoamérica. Nenhum estudioso daquele época saberia o suficiente para obter qualquer, muito menos todas, estas coisas. Alguém pode perguntar, então como é que ele fez isso? As únicas opções disponíveis para responder essa pergunta parecem ser (1) que ele era um escritor incrivelmente criativo, para o qual não temos nenhuma outra evidência, ou (2) que ele realmente teve acesso a um livro real da antiga Mesoamérica.[10]

Espera-se que este breve levantamento das evidências culturais internas do Livro de Mórmon possa fazer com que o leitor tenha o desejo de investigar os materiais e as fontes disponíveis no site do Instituto Neal A. Maxwell, e, eventualmente, conduzir aquele que verdadeiramente busca a verdade a obter o conhecimento das origens divinas do Livro de Mórmon: Outro Testamento de Jesus Cristo.

 


[1] O Instituto de Estudos Religiosos Neal A. Maxwell já publicou vários livros que lançam uma luz sobre as antigas origens do Livro de Mórmon a partir de um único texto. Por exemplo, Daniel C. Peterson, Donald W. Parry, and John W. Welch, eds., Echoes and Evidences of the Book of Mormon (Provo, UT: FARMS, 2002); Noel B. Reynolds, ed., Book of Mormon Authorship: The Evidence for Ancient Origins; and Reynolds, ed., Book of Mormon Authorship Revisited: New Light on Ancient Origins (Provo, UT: FARMS, 1997). A principal publicação do Instituto Journal of Book of Mormon and Other Restoration Scripture, publicou muitos artigos ao longo dos anos que falam das evidências internas e externas.

[2] Orson Pratt, Journal of Discourses, Vol. 3, p. 347; Joseph Smith—History 1:65; see Ether 4:5.

[3] John W. Welch, “A Steady Stream of Significant Recognitions,” in Echoes and Evidences. Para um tratamento mais completo, consulte “Doubled, Sealed, Witnessed Documents: From the Ancient World to the Book of Mormon,” in Mormons, Scripture, and the Ancient World, ed. Davis Bitton.

[4] Daniel C. Peterson, “Not Joseph’s, and Not Modern,” em Echoes and Evidences.

[5] Ver a bibliografia de suas obras; A Bibliography of the Published and Unpublished Works of John Leon Sorenson.

[6] John L. Sorenson, “Did the Ancient Peoples of Mesoamerica Use a System of Weights and Scales in Measuring Goods and Their Values?JBMS 8/2 (1999); ver também John W. Welch, “Weighing and Measuring in the Book of Mormon,” JBMS 8/2 (1999).

[7] Sorenson, “Did the Ancient Peoples.”

[8] Welch, “Weighing and Measuring.”

[9] John L. Sorenson, “How Could Joseph Smith Write So Accurately about Ancient American Civilization?” em Echoes and Evidences.

[10] Sorenson, “How Could Joseph Smith?

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